Artigo: “Vereadores do prefeito aprovam Distrito Industrial na BR e condenam Vera ao isolamento”
Apesar dos argumentos em contrário da oposição e de comerciantes e da população verense, que estão convictos de que esse projeto do prefeito Giacomelli vai isolar ainda mais Vera dos grandes centros e favorecer Sorriso e Sinop, os vereadores Ênio, Sergipe, Pena Fiel, Édson e Juninho disseram amém ao prefeito e aprovaram a proposta.
Se a coisa já não estava boa para o comércio de Vera, que sobrevive com dificuldades à falta de dinheiro e de renda na cidade, e para a população que sofre os efeitos da falta de empregos, tudo agora deve piorar ainda mais: a maioria de vereadores aprovou na última sessão da Câmara projeto de lei do prefeito Moacir Giacomelli, que prevê a implantação de um Distrito Industrial no trevo da BR-163 com a MT-225, que faz a ligação com a cidade de Vera.
Segundo os vereadores da oposição e a população que rejeita a ideia, não se trata obviamente de ser contra o desenvolvimento de Vera (como alguns vereadores e os apresentadores “ventríloquos do prefeito” na TV local afirmam), mas sim de tentar evitar um isolamento ainda maior da cidade. Mais que isso, trata-se de buscar uma solução que estimule os investimentos industriais no município mas que garanta ao mesmo tempo a sobrevivência da cidade, com os empregados das prováveis indústrias morando e consumindo em Vera e não nos grandes centros, como Sorriso e Sinop.
A experiência e a história comprovam que quase todos os municípios que tentaram projetos semelhantes, acabaram estimulando a criação de novos centros urbanos. Estes, ganharam vida própria e se emanciparam, transformando-se em novos municípios. Ou seja, todos os investimentos e incentivos fiscais efetuados durante anos pelo município-mãe (no caso, Vera) terão sido desperdiçados.
Isso porque todas as pessoas de bom senso percebem o óbvio: com as indústrias se instalando no trevo da
BR, essas empresas vão estimular seus empregados a que morem em Sorriso – que ficará a apenas 30 km do local, e com uma farta oferta de linhas de ônibus e a rodovia bem conservada. Sem se falar que Sorriso (e Sinop, a 50 km) terão o atrativo de oferecer a esses empregados das indústrias uma estrutura de comércio, serviços, escolas e universidades de grandes centros.
É somente por esses argumentos óbvios que os vereadores Xavier, Kerllin, Marco Novo e Paulinho se opuseram ao projeto do prefeito. Eles e a grande maioria da população querem sim o desenvolvimento e o progresso de Vera.
Aliás, estão todos há três anos esperando o cumprimento das promessas do prefeito Moacir, que se elegeu denominando-se como “um empresário arrojado” que traria muitas indústrias para a cidade. Não trouxe indústria nenhuma e, mais do que isso, mesmo sendo madeireiro não foi capaz em três anos de apresentar uma única ideia ou iniciativa capazes de retirar da agonia as mais de dez indústrias madeireiras que ainda sobrevivem na cidade.
Não fez nada, não trouxe as prometidas indústrias e, agora, há sete meses das eleições, o prefeito Moacir Giacomelli vive de “buteco em buteco” com uma planta-baixa do “megafrigorífico” que ele “garante” vai construir em Vera. A mesma ladainha dos butecos o prefeito também repete em suas aparições “espontâneas” na TV de Vera, quando é “entrevistado” pelos apresentadores e seus ventríloquos dessa emissora.
É como diz o sábio ditado popular, “só acredita quem não o conhece”.
Enquanto isso, o vizinho município de Feliz Natal (filho de Vera), investe e reativa a Associação de Madeireiros, constroi um excepcional Aterro Sanitário, incentiva a reciclagem e o reaproveitamento de resíduos do lixo, monta um secador de pó-de-serra e implanta um picador de madeira (picador, aliás, que estava em Vera e se transferiu para Feliz Natal porque não teve incentivos da Prefeitura daqui).
Ou seja: ao contrário de conversas de butecos, plantas de projetos embaixo do braço e promessas em ano eleitoral, o município vizinho de Feliz Natal tomou uma série de providências e investimentos concretos para auxiliar e recuperar o setor madeireiro, além de gerar empregos e renda para o município.
Ou seja, em Feliz Natal se faz e as coisas já acontecem e nem o presidente da Associação dos Madeireiros (que é candidato a prefeito pela oposição) nem o prefeito que é seu adversário e vai para a reeleição precisam fazer promessas em anos eleitorais. Eles já fazem. andar com plantas de projetos embaixo do braço. E lá também a maioria dos vereadores não precisa aprovar projetos de lei em ano eleitoral para prometer a salvação do mundo em Distritos Industriais a 30 km da cidade (o que aliás e por ironia, se fosse feito, ficaria bem pertinho e favorecia Vera!).
Apatia popular e omissão das entidades de classe na votação da Câmara em Vera
E a situação de Vera realmente não é fácil. Ninguém tem dúvidas (as manifestações são claras) de que a população em sua grande maioria é contrária ao projeto de Distrito Industrial na BR. Mas quando vai ocorrer a votação na Câmara (como foi o caso da última sessão), ninguém comparece e os vereadores do prefeito “nadam de braçada”.
Uma parte não compare porque não acredita nem valoriza a Câmara – o que está errado. Mas outra parte, o que inclui uma grande parte do comércio, não comparece porque tem medo das retaliações e das prováveis perseguições do prefeito (os empresários afirmam: “se a coisa já não está boa hoje, imagina se a gente se manifestar contra o homem - eles não vão comprar mais nada em nossos estabelecimentos e a gente depende da Prefeitura”).
A coisa fica mais grave ainda porque as entidades de classe dos comerciários, dos industriários, dos madeireiros e dos agricultores também se omitem. Suas direções não compareceram à sessão e o prefeito e seus mandatários se aproveitaram dessa omissão para reduzir as discussões do projeto na Câmara de três para uma sessão e fogem de realizar uma audiência pública.
Também é necessário denunciar aqui o papel servil e capacho da TV de Vera e de outros órgãos de comunicação da cidade, que se omitiram de anunciar o projeto de lei na Câmara e sua importância para os destinos do município. Quem paga e sustenta tem preferência.
É Vera.